São Paulo regulamenta plano operacional contra caruru-gigante
10-03-2026

Norma define protocolos para conter erva invasora em lavouras

Andréia Vital

O governo de São Paulo regulamentou a execução do Plano Estadual de Prevenção, Controle e Erradicação do Amaranthus palmeri, conhecido como caruru-gigante. A medida foi publicada pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento por meio da Portaria Defesa Agropecuária nº 06, de 4 de março de 2026.

A norma detalha os procedimentos operacionais para monitoramento, contenção e eliminação da planta invasora, considerada uma ameaça fitossanitária para lavouras de grãos. O plano operacional complementa o programa estadual instituído pela Resolução SAA nº 07, de 19 de fevereiro de 2026.

Segundo a Defesa Agropecuária paulista, a iniciativa busca reduzir riscos de disseminação da espécie no Estado e preservar a produtividade agrícola. “O plano é estratégico para proteger a produção de soja, milho e algodão no Estado, evitando perdas que podem chegar a até R$ 13 bilhões com a quebra de produtividade que essa erva daninha pode causar”, afirma Luiz Henrique Barrochelo, diretor da Defesa Agropecuária.

O documento estabelece protocolos padronizados para identificação de suspeitas, confirmação laboratorial, delimitação de áreas afetadas e aplicação de medidas obrigatórias de erradicação. Também prevê a possibilidade de interdição de áreas quando necessário.

A coordenação das ações ficará sob responsabilidade do Departamento de Defesa Sanitária Vegetal, com execução descentralizada pelos Departamentos Regionais de Defesa Agropecuária. O plano também define rotinas de fiscalização, rastreabilidade das ocorrências e registro georreferenciado das áreas monitoradas.

Entre as medidas previstas estão delimitação de áreas de contenção próximas aos focos identificados, restrições ao trânsito de máquinas e materiais com potencial de disseminação, além da limpeza técnica de equipamentos agrícolas.

“Vamos capacitar as equipes da Defesa Agropecuária em todo o Estado para que a operacionalização do plano comece de forma rápida e padronizada, garantindo resposta ágil e eficiente no combate ao caruru-gigante”, afirma Alexandre Paloschi, diretor do Departamento de Defesa Sanitária Vegetal.

A portaria também reforça a obrigatoriedade de comunicação imediata à Defesa Agropecuária em caso de suspeita ou identificação da planta. O aviso pode ser feito por produtores rurais, ocupantes da área ou profissionais das ciências agrárias.

Considerado uma praga quarentenária, o caruru-gigante apresenta elevado potencial de competição com culturas agrícolas e pode provocar perdas expressivas quando não controlado. O plano estadual prevê medidas preventivas relacionadas às principais vias de disseminação, como contaminação de sementes, trânsito de máquinas agrícolas e movimentação de solo ou cargas.

A íntegra da portaria está disponível no Diário Oficial do Estado de São Paulo. Link