Seguro rural deve cair 3,9% em 2026 com corte de subvenção
14-04-2026

Arrecadação recua em janeiro e cobertura segue em retração no país

Andréia Vital

A Confederação Nacional das Seguradoras revisou para baixo a projeção para o seguro rural em 2026 e passou a estimar queda de 3,9% na arrecadação, após previsão anterior de alta de 2,3%. O movimento reflete um cenário de retração no mercado, que já havia registrado desempenho negativo no ano anterior.

Segundo a entidade, a principal pressão vem da limitação de recursos no orçamento federal destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural, instrumento que reduz o custo das apólices para os produtores. Sem esse suporte, a demanda por cobertura tende a cair.

De acordo com o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, a ausência de recomposição dos recursos compromete a retomada do crescimento. “A falta de orçamento adequado trava o mercado e levou à revisão das projeções”, afirmou.

Os dados mais recentes reforçam o quadro de desaceleração. Em 2025, a arrecadação do seguro rural somou R$ 12,9 bilhões, queda de 8,8% em relação ao ano anterior. Em janeiro deste ano, o recuo foi ainda mais intenso, de 12,2%, com volume de R$ 1,1 bilhão.

A retração também aparece na área protegida. O país já chegou a ter cerca de 13,7 milhões de hectares cobertos por seguro rural, mas esse número caiu para pouco mais de 3 milhões em 2025, o equivalente a 3,3% da área plantada. A redução acompanha o encolhimento da subvenção federal ao longo dos últimos anos.

Na avaliação da entidade, a menor adesão cria um ciclo adverso. Com menos produtores segurados, o risco médio da carteira aumenta, pressionando o preço das apólices e afastando novos participantes, além de reduzir o interesse de seguradoras no segmento.

Esse cenário ocorre em um contexto de maior exposição climática. Levantamentos indicam perdas médias de cerca de R$ 60 bilhões por ano associadas a eventos climáticos no Brasil, com impacto relevante sobre a produção agropecuária.

Diante disso, o setor defende medidas estruturais para ampliar a previsibilidade do seguro rural. Entre as propostas estão a garantia de orçamento contínuo para o programa de subvenção e a criação de um fundo de estabilização, capaz de suavizar oscilações em períodos de maior sinistralidade.

Também avança no Congresso um projeto de lei que busca evitar o contingenciamento de recursos do programa e viabilizar o fundo. A proposta é relatada pelo deputado Pedro Lupion e tem autoria da senadora Tereza Cristina.

Para a CNseg, o fortalecimento do seguro ganha relevância diante da mudança no perfil de financiamento do agronegócio, com maior participação de capital privado. Nesse ambiente, instrumentos de mitigação de risco passam a ter papel central na sustentação do crédito e dos investimentos no campo.