Setor produtivo e educação: a parceria que pode salvar o Brasil de um colapso
26-06-2025
O agronegócio é um exemplo de que quando a realidade do campo entra na sala de aula, os jovens respondem com entusiasmo
Por Leticia Jacintho*
O setor produtivo, como o agronegócio, precisa estar envolvido nas etapas da melhoria da educação. Getty Images
Nos últimos meses, tenho participado de encontros promovidos por grandes empresas brasileiras, especialmente do agronegócio, mas também em parceria com setores igualmente proeminentes da indústria, do comércio e dos serviços. São espaços potentes de diálogo, onde a educação precisa ser tratada não apenas como pauta estratégica, mas como motor fundamental para a sobrevivência social e econômica do Brasil.
Enquanto isso, dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) expõem uma realidade preocupante: 9 milhões de jovens entre 15 e 29 anos não estudam, não trabalham e nem estão procurando emprego. É o maior contingente de “nem-nem” da história recente. Pela primeira vez, essa população supera o número de jovens que estudam e trabalham simultaneamente — um sinal claro da gravidade do desafio social e econômico que enfrentamos.
Os sinais desse colapso não são novos. Há pelo menos quatro décadas, a educação brasileira — e suas instituições de ensino em geral —, grande parte delas, seguem sem condições adequadas, sem valorização docente real e com materiais didáticos muitas vezes frágeis do ponto de vista técnico-científico. A escola pública, claro, é a que mais sofre com a falta de infraestrutura, segurança e recursos, mas o desafio é amplo e transversal.
Apesar disso, nas experiências que venho acompanhando junto ao setor produtivo, vejo sinais promissores. Há empresas e institutos promovendo formação profissional de excelência, conectando jovens ao mundo real do trabalho, levando inovação para dentro das escolas, apostando na escuta, na tecnologia, na prática — e, acima de tudo, no protagonismo da juventude.
O agronegócio é um exemplo emblemático: onde há vivência prática, há encanto. Onde há estímulo com propósito, há aprendizado com entusiasmo. Ǫuando a realidade do campo ou da indústria entra na sala de aula com linguagem adequada e metodologias eficazes, os jovens respondem. Se isso já é visível, imagine o que poderíamos fazer se essa mobilização fosse ampliada e institucionalizada.
O setor produtivo precisa estar envolvido em todas as etapas da melhoria da qualidade da educação. Isso inclui o incremento e a ampliação do apoio a programas de excelência desenvolvidos pelo terceiro setor, mas, principalmente, uma atuação mais forte e articulada no Congresso Nacional, onde as leis são formuladas e aprovadas. O setor produtivo, que já é conectado com a academia e promove inovação, deve levar essa experiência com mais impacto para a sociedade.
A agenda de sustentabilidade, já presente nas grandes empresas e setores econômicos, precisa incorporar de maneira mais enfática a dimensão social — e, neste ano em especial, o setor produtivo deve unir forças com a educação. Empresários e lideranças precisam apoiar muito mais a causa educacional. Por quê? Porque 2025 é o ano em que está sendo discutido o Plano Nacional de Educação que norteará a próxima década. Temos uma geração de jovens dependendo dessa ação imediata.
Essa é uma convocação emocionante para que o setor produtivo assuma mais o seu papel e una forças para ampliar seu protagonismo na reconstrução da educação, promovendo a melhoria de vida de milhões de brasileiros e a transformação urgente da realidade do país.
*Leticia Jacintho é presidente da associação De Olho no Material Escolar. Produtora rural, também é formada em Administração de Empresas. Atuou no mercado financeiro, na área de Captação e Fundos, e, no Agronegócio, integra o Conselho Superior do Agronegócio da Federação das Indústrias de São Paulo (Cosag/Fiesp).
Fonte: Forbes

