Soja auditada no Pará cresce 6 vezes e atinge 95% de conformidade
07-05-2026
Protocolo Verde amplia rastreabilidade e consolida padrão ambiental
Andréia Vital
O volume de soja auditada no Pará ultrapassou 9,7 milhões de toneladas no terceiro ciclo do Protocolo Verde dos Grãos, com crescimento superior a 600% desde a safra 2017/2018. Os dados foram apresentados terça-feira (28) pelo Imaflora e pelo Ministério Público Federal, evidenciando avanço na rastreabilidade e na conformidade socioambiental da cadeia.
A análise considerou 9.770.450,56 toneladas comercializadas nas safras 2022/2023 e 2023/2024, volume equivalente a 108% da produção estadual, já que inclui operações de revenda. No primeiro ciclo, o total auditado foi de 1,5 milhão de toneladas, avançando para 3,2 milhões no segundo ciclo, o que indica expansão contínua da iniciativa.
Além do crescimento em escala, o nível de conformidade atingiu 95,39%, com apenas 4,61% de inconformidade. O índice consolida um padrão elevado de regularidade, acima dos 80,36% registrados no início do programa e próximo dos 96% observados no segundo ciclo, indicando maturidade da cadeia produtiva no cumprimento das exigências ambientais e sociais.
Adesão e governança avançam
O número de empresas auditadas também cresceu. Foram entregues 36 relatórios no ciclo mais recente, abrangendo 47% das 77 empresas signatárias ativas no período. Na primeira rodada, haviam sido auditadas 12 empresas, e na segunda, 19 relatórios. Ao todo, o protocolo reúne 95 empresas participantes.
A auditoria avaliou uma amostra de 35% do volume comercializado, equivalente a 3,44 milhões de toneladas, das quais 3,28 milhões foram consideradas regulares. O modelo de monitoramento é apontado como fator de segurança para o mercado e de estímulo à adoção de boas práticas, ao transformar a conformidade em diferencial competitivo.
Criado em 2014, o Protocolo Verde dos Grãos estabelece critérios para compra de soja vinculados ao Cadastro Ambiental Rural, à regularidade fiscal e à ausência de embargos ambientais ou restrições trabalhistas. A iniciativa busca alinhar a expansão da produção agrícola à preservação do bioma Amazônia, com base em compromissos voluntários e monitoramento independente.

