Solo arenoso deixa de ser problema e vira oportunidade no campo
20-03-2026
Jornada técnica na Expocanas apresenta alternativas com soja, sorgo, milheto e amendoim
Por José Cândido
Em Mato Grosso do Sul, onde a paisagem agrícola também é marcada por áreas de solos arenosos — historicamente vistas como limitantes — a ciência começa a reescrever o destino dessas terras. E é justamente esse novo capítulo que será debatido na Jornada Técnica sobre Diversificação de Culturas em Solos Arenosos, no dia 27 de março, em Nova Alvorada do Sul.
Integrada à programação da Expocanas, a jornada propõe uma virada de chave: sair da lógica da restrição para a da adaptação produtiva. A ideia é simples, mas estratégica — mostrar ao produtor que, com manejo adequado e escolha certa de culturas, até o solo mais desafiador pode produzir bem.
Com participação ativa da Embrapa Agropecuária Oeste, o evento reúne especialistas que vêm estudando alternativas viáveis para essas áreas. Ao longo da manhã, cinco palestras técnicas vão apresentar sistemas produtivos pensados para aumentar a eficiência, a sustentabilidade e, principalmente, a rentabilidade no campo.
Entre os destaques está a discussão sobre o cultivo da soja em ambientes de baixa altitude e solos mais frágeis — uma realidade comum em várias regiões do Estado. O pesquisador Rodrigo Arroyo Garcia vai detalhar estratégias que buscam equilibrar produtividade e conservação do solo.
Mas a diversificação vai além da soja. O sorgo e o milheto graníferos aparecem como alternativas importantes para a segunda safra, especialmente em áreas onde o milho já não responde com a mesma performance. O tema será abordado por Cícero Beserra de Menezes, reforçando o potencial dessas culturas na rotação e na cobertura do solo.
Outro protagonista da jornada será o amendoim, cultura que vem ganhando espaço justamente por sua adaptação a ambientes mais restritivos. Além de alternativa técnica, ele também se apresenta como oportunidade de mercado, com programas de fomento e aquisição industrial sendo estruturados no Estado.
Na mesma linha, a integração com a indústria de bioenergia entra no radar. A cadeia do etanol, cada vez mais diversificada, abre espaço para cereais cultivados em diferentes condições, ampliando as possibilidades de renda para o produtor rural.
Vitrine no campo
Mais do que teoria, a Expocanas também aposta na prática. Durante os dias de evento, os participantes poderão percorrer áreas demonstrativas com tecnologias aplicadas diretamente no campo.
Serão quatro estações experimentais mostrando, na prática, como diferentes culturas se comportam em solos arenosos — desde cultivares de amendoim até sistemas com sorgo, milheto, plantas de cobertura e cana-de-açúcar.
A proposta é aproximar o produtor da pesquisa, encurtando o caminho entre o experimento e a adoção na propriedade.
Nova lógica produtiva
Ao reunir pesquisadores, técnicos e produtores, a jornada reforça uma tendência cada vez mais clara no agro sul-mato-grossense: a diversificação como estratégia de resiliência.
Num cenário de mudanças climáticas, pressão por sustentabilidade e busca por eficiência, explorar novas culturas e sistemas produtivos deixa de ser alternativa e passa a ser necessidade.
E, no caso dos solos arenosos, o recado é direto: com conhecimento e tecnologia, até a terra mais leve pode sustentar grandes resultados.
Fonte: Campo Grande News

