Subsídio à gasolina pode reduzir renda do produtor de cana
19-05-2026

Estudo do Pecege estima perdas no ATR e pressão sobre o etanol

A medida provisória que autoriza subvenção econômica sobre a gasolina A ampliou a preocupação do setor sucroenergético com os efeitos sobre o etanol e a remuneração da cana-de-açúcar. Estudo do Pecege Consultoria e Projetos aponta que a redução tributária da gasolina pode diminuir o valor do ATR e pressionar a receita de produtores, cooperativas e usinas do Centro-Sul.

A análise considera cenários de redução entre R$ 0,40 e R$ 0,44 por litro sobre tributos federais incidentes na gasolina. Como gasolina C e etanol hidratado competem diretamente nas bombas, a queda no preço do combustível fóssil tende a reduzir a competitividade do biocombustível e afetar os preços pagos pela matéria-prima.

No cenário de redução de R$ 0,44 por litro, o estudo projeta queda de R$ 0,0405 por quilo de ATR. Considerando a referência utilizada pelo levantamento, de 121,97 quilos de ATR por tonelada de cana, o impacto estimado é de R$ 4,93 por tonelada. Segundo o Pecege, o efeito varia conforme a qualidade da matéria-prima, já que canas com maior concentração de ATR ampliam a perda financeira por tonelada entregue.

Já na hipótese de corte de R$ 0,40 por litro, a redução calculada é de R$ 0,0368 por quilo de ATR e R$ 4,49 por tonelada de cana.

Efeito sobre o setor

Segundo João Rosa Botão, sócio-diretor do Pecege, o impacto direto ao produtor chega a R$ 0,04 por quilo de ATR. Considerando uma cana com 135 quilos de ATR por tonelada, a perda representa cerca de R$ 5,40 por tonelada de cana. Utilizando produtividade média de 77 toneladas por hectare no Centro-Sul, o impacto alcançaria aproximadamente R$ 415 por hectare.

O consultor ressaltou que esse cálculo ainda desconsidera a atual defasagem da gasolina em relação à paridade internacional, estimada entre 65% e 70%. Segundo ele, esse fator adicionaria aproximadamente R$ 0,10 por quilo de ATR ao impacto sobre o produtor.

Somando os dois efeitos, a diferença potencial chegaria a R$ 0,14 por quilo de ATR, R$ 18,90 por tonelada de cana e R$ 1.455 por hectare. “As alavancas para controle da inflação e melhora da popularidade do governo vêm custando caro ao setor sucroenergético”, afirmou. O estudo foi elaborado com base em projeções do Radar Compara para a safra 2025/26 e utilizou parâmetros como câmbio de R$ 5,11 por dólar, mix de etanol de 46,33%, ATR padrão de 121,97 quilos por tonelada e paridade na bomba de 65,20%.

Fonte: Canaoeste