Tecnologia transforma o perfil dos profissionais do agro e coloca novas competências no centro do setor
22-10-2026

Automação e análise de dados transformam funções no campo e ampliam a importância da qualificação, aponta diretora de RH da Netafim

A expansão da tecnologia no agronegócio está transformando o perfil dos profissionais necessários para acompanhar as mudanças no setor. Com a incorporação de automação, conectividade e análise de dados às atividades agrícolas, o conhecimento técnico tradicional continua essencial, mas passa a dividir espaço com novas competências, como familiaridade com ferramentas digitais, capacidade analítica e resolução de problemas.

Na avaliação de Mariana Cunali, diretora de Recursos Humanos da Netafim, empresa especializada em soluções de irrigação, o avanço tecnológico representa principalmente uma transformação das funções, e não necessariamente uma redução da necessidade de mão de obra. “A automação pode substituir determinadas atividades operacionais, mas também transforma funções e amplia a demanda por profissionais capazes de interpretar informações, operar novas tecnologias e tomar decisões mais inteligentes. O principal desafio está em preparar as pessoas para essa transformação”, afirma Mariana.

No setor de irrigação, essa transformação já pode ser observada na utilização de sistemas automatizados, sensores e ferramentas de monitoramento que permitem decisões mais precisas sobre a aplicação de água e nutrientes. Nesse cenário, os profissionais precisam combinar conhecimento agronômico, domínio tecnológico e capacidade analítica para contribuir com a produtividade e o uso eficiente dos recursos naturais.

Essa mudança também amplia a busca por profissionais que consigam conectar diferentes áreas do conhecimento. Além da formação em agronomia e engenharia, ganham relevância competências relacionadas à tecnologia, à automação e à análise de dados. Ao mesmo tempo, habilidades comportamentais como adaptabilidade, aprendizado contínuo, colaboração, resolução de problemas e foco no cliente tornam-se fundamentais para transformar conhecimento técnico em soluções que gerem valor ao produtor.

Segundo a diretora, encontrar profissionais que reúnam essas habilidades é um desafio crescente. A lacuna aparece especialmente em funções que exigem, simultaneamente, conhecimento agronômico, domínio técnico, familiaridade com tecnologias e capacidade de relacionamento com o cliente. Nesse cenário, o desenvolvimento de competências dentro das próprias empresas torna-se uma frente importante para acompanhar as mudanças do mercado.

Na Netafim, a formação dos colaboradores envolve diferentes frentes, como capacitação técnica e comercial, conhecimento de produtos e soluções, desenvolvimento de lideranças e aprimoramento de competências comportamentais e digitais. A estratégia, segundo Cunali, é alinhar o desenvolvimento profissional às capacidades que serão necessárias para o negócio nos próximos anos.

“Para nós, preparar as pessoas que já conhecem o negócio para as novas competências exigidas pelo setor é tão estratégico quanto contratar novos talentos”, diz.

A discussão também se relaciona à transformação do papel humano em ambientes cada vez mais tecnológicos. À medida que sistemas passam a fornecer mais informações e automatizar etapas operacionais, a capacidade de interpretar cenários, avaliar alternativas e tomar decisões ganha importância.

“Tecnologia, sozinha, não gera transformação. Ela gera potencial. São as pessoas que transformam esse potencial em produtividade, eficiência, sustentabilidade e melhores decisões”, afirma a diretora.

A valorização das pessoas também integra a campanha institucional “Netafim, a Minha Marca de Irrigação”, que busca aproximar as diferentes áreas e experiências que compõem a empresa, conectando cultura, identidade e sentimento de pertencimento. A iniciativa parte da ideia de que a marca é construída diariamente pelos profissionais, seja na fábrica, no escritório, no centro de distribuição ou no contato direto com os produtores.

Para Mariana, a combinação entre tecnologia e conhecimento humano será determinante para o futuro do trabalho no agronegócio. “O profissional do agro tende a ser cada vez menos apenas um executor de atividades e cada vez mais alguém que interpreta informações, toma decisões e conecta conhecimento técnico, tecnologia e negócio”, conclui.