Tereos amplia uso de bioestimulantes e registra até 17% em TCH
05-03-2026
Ensaios indicam ganho em cana planta e soca e avanço em 70% da área
Por Andréia Vital
A adoção de bioestimulantes e aminoácidos no manejo da cana-de-açúcar tem ampliado resultados agronômicos na Tereos. Durante o BioShow, realizado pelo Grupo IDEA no dia 25 de fevereiro, em Ribeirão Preto - SP, Matheus Pozzetti, gestor de Qualidade Agrícola, apresentou dados de experimentação conduzida pela companhia para elevar a produtividade dos canaviais.
O grupo opera 41 unidades industriais em 14 países e cultiva quase 300 mil hectares de cana-de-açúcar, sendo 173 mil hectares próprios e 122 mil hectares de fornecedores, que respondem por 49% do volume processado pela empresa.
“A gente cultiva próximo a 300 mil hectares, com produção anual em torno de 18 milhões de toneladas de cana. Praticamente 700 produtores representam metade da matéria-prima”, afirmou.
Ao comparar a evolução da produtividade nas últimas décadas, Pozzetti destacou que a cana-de-açúcar avançou cerca de 40% nos últimos 50 anos, enquanto outras culturas registraram crescimento entre 129% e 193%. “Sofremos muito com temperatura e déficit hídrico. O pisoteio também é um dos fatores que mais roubam produtividade dentro do canavial”, disse.
Nos ensaios conduzidos após 210 dias, a biometria em cana planta passou de 93,9 para 109,9 toneladas por hectare em três testes. Em cana soca, seis avaliações indicaram avanço de 124,7 para 137,2 toneladas por hectare. Em experimentos específicos de plantio, três áreas apresentaram ganhos de 24%, 10% e 19%, com média de 17%.
Na safra 2025/26, a área tratada com bioestimulantes e condicionadores de solo chegou a 70%, ante 45% nas safras 2023/24 e 2024/25. “Não precisa aplicar em todas as áreas. Precisamos acertar a recomendação, bloco a bloco”, afirmou.
No manejo pré seca, realizado antes do período de estresse hídrico, a empresa analisou 223 pares estatísticos com variáveis equivalentes de safra, variedade, idade da cana e mês de colheita. O ganho médio foi de 1,48 tonelada por hectare. “Não é ganhar produtividade, é deixar de perder e buscar o potencial da planta.”
Em aplicações foliares associadas à retomada das chuvas, ensaios internos apontaram variações positivas de até 33% em TCH, com ATR próximo de 150 quilos por tonelada. “A cana hoje quase não se paga. A gente precisa recuperar isso dentro do TCH”, afirmou.

