Tereos teve prejuízo de 25 milhões de euros no terceiro trimestre da safra 2025/26
19-02-2026
Resultado negativo refletiu a queda dos preços de produtor na Europa, redução de produtividade dos canaviais no Brasil e depreciação do dólar
Por Camila Souza Ramos — São Paulo
O grupo francês Tereos encerrou o terceiro trimestre da safra 2025/26, entre outubro e dezembro de 2025, com um prejuízo líquido de 25 milhões de euros, em comparação com um lucro de 22 milhões de euros no mesmo trimestre da safra anterior.
O resultado negativo refletiu a queda dos preços realizados dos produtos vendidos de seu negócio na Europa (açúcar, amido e adoçantes) e a redução da produtividade de seus canaviais no Brasil, além da depreciação do dólar em relação ao euro.
A receita líquida caiu 16%, para 3,888 bilhões de euros, enquanto o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) recuou 57%, para 291 milhões de euros.
Como a dívida da Tereos teve pouca alteração ao longo da safra e encerrou o trimestre em 2,32 bilhões de euros, a alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda em 12 meses) saltou de 2,8 vezes no fim da safra passada para 5,6 vezes no fim de dezembro.
A companhia ainda espera que esse indicador suba para um pico de seis vezes antes de cair. Mas isso não deve comprometer sua estabilidade financeira no curto prazo. A companhia obteve um waiver (perdão) junto aos seus principais financiadores que durará por todo o período de vencimento das dívidas em aberto com esses agentes.
A companhia tinha covenants (compromissos de indicadores financeiros) relacionados à alavancagem e ao resultado líquido.
No acumulado da safra, a companhia teve um prejuízo líquido de 598 milhões de euros, em comparação com um lucro líquido de 218 milhões de euros um ano antes. Esse resultado, porém, teve um impacto determinado principalmente por uma baixa contábil (impairment) de 499 milhões de euros no trimestre anterior, decorrente da revisão dos testes de recuperabilidade dos ativos.
Além da negociação dos waivers, a Tereos também realizou uma nova emissão de dívida para alongar o prazo de seus vencimentos. Em 21 de janeiro, já no quarto trimestre desta safra, a companhia concluiu uma captação de 300 milhões de euros em bons com vencimento em 2032, com um cupom de 8,125%, que serão usados para refinanciar as notes no mercado que vencem em 2027.
Ainda em 23 de dezembro, a Tereos acertou 120 milhões de euros em linhas de financiamento ligadas a metas climáticas, para apoiar seus planos de descarbonização na Europa. As linhas têm prazo de quatro anos, mas podem ser estendidas por até sete anos a depender do exercício de opções previstas nos contratos.
No campo operacional, a companhia anunciou em 30 de janeiro que pretende vender sua usina em Andrade (SP) e manter, no Brasil, suas operações concentradas em cinco usinas. Segundo as notas da Tereos a respeito do balanço, a reorganização geográfica da empresa no Brasil vai resultar em um “desempenho operacional melhor e fortalecer a Tereos localmente para perseguir sua estratégia de longo prazo”.
Fonte: Globo Rural

