Usinas do Triângulo Mineiro devem focar produção em etanol na próxima safra
13-01-2026

Retração nas exportações de açúcar leva setor sucroenergético a readequar o mix produtivo na região

Por Eloi Naves

A retração nas exportações de açúcar registrada em 2025 vem provocando uma reavaliação estratégica no setor sucroenergético brasileiro, com reflexos diretos no Triângulo Mineiro. Na região, que concentra parte relevante da produção de cana-de-açúcar em Minas Gerais, a tendência para a próxima safra é de maior direcionamento da matéria-prima para a produção de etanol, em busca de maior previsibilidade e rentabilidade.

Dados do setor indicam que as vendas externas de açúcar apresentaram queda significativa tanto em volume quanto em receita no último ano, pressionadas pela redução dos preços internacionais do produto. Esse cenário tem levado as usinas a reverem seus planejamentos agrícolas e industriais, priorizando o etanol, que apresenta melhor equilíbrio entre custos, demanda e risco de mercado.

A expectativa é que a safra que começa a ser plantada a partir de abril de 2026 já reflita esse movimento, com uma parcela maior da cana destinada ao biocombustível.

Triângulo Mineiro ganha protagonismo no etanol

O Triângulo Mineiro reúne importantes polos sucroenergéticos do estado, com usinas distribuídas em municípios do entorno de Uberaba e do Pontal do Triângulo. A região se destaca pelo volume produzido, pela logística favorável e pela proximidade com grandes centros consumidores do Sudeste.

Com a instabilidade do mercado internacional do açúcar, o etanol passa a ser visto como produto estratégico, principalmente para atender o mercado interno brasileiro, que mantém consumo estável e previsível. A avaliação do setor é que o biocombustível oferece maior segurança comercial em comparação ao açúcar, mais exposto às oscilações globais.

Mesmo com a retração das exportações nacionais de etanol nos últimos anos, o mercado doméstico segue como principal destino da produção, sustentado pela frota flex e pela relevância do combustível na matriz energética nacional.

Planejamento da próxima safra e decisões estratégicas

O redirecionamento da produção exige ajustes desde o campo até a indústria. As decisões tomadas agora impactam diretamente o ciclo agrícola seguinte, o que explica o foco antecipado das usinas na definição do mix entre açúcar e etanol.

A avaliação predominante entre os produtores é que o etanol oferece menor exposição à volatilidade internacional, além de custos logísticos mais previsíveis. Esses fatores têm pesado na decisão de concentrar investimentos e capacidade produtiva no biocombustível.

Impactos econômicos para a região

A maior produção de etanol no Triângulo Mineiro tende a gerar efeitos positivos para a economia regional, como:

  • Manutenção e geração de empregos durante o período de moagem;
  • Fortalecimento da cadeia produtiva local, envolvendo fornecedores de insumos, transporte e serviços;
  • Maior circulação de renda nos municípios com forte presença do setor sucroenergético;
  • Estabilidade operacional das usinas, diante de um mercado interno mais previsível.

Com a safra 2026/2027 no horizonte, o setor sucroenergético do Triângulo Mineiro se prepara para um ciclo marcado por maior protagonismo do etanol, reforçando o papel da região como uma das principais bases da bioenergia em Minas Gerais.

Fonte: Regionalzão