Veja qual será a rota do ciclone extratropical a partir de hoje
09-01-2026
Sistema se forma entre o nordeste da Argentina e o Uruguai e traz efeitos para o clima no Brasil
Por Izabel Gimenez — São Paulo
Fim de semana será marcada por ventania intensa no Sul — Foto: MetSul
Um ciclone extratropical começa a se formar entre o nordeste da Argentina e o Uruguai nesta sexta (9/1). De acordo com a meteorologista Estael Sias, da MetSul, trata-se de um sistema de curta duração e sem grande potencial de intensificação, diferentemente de outros ciclones que já provocaram impactos mais severos. No Brasil, os efeitos serão sentidos, mas de forma leve, principalmente no Sul do país.
Qual será a rota do ciclone?
O processo começa nessa sexta, quando uma área de baixa pressão se aprofunda sobre o norte e o nordeste da Argentina, avançando em direção ao Uruguai. Esse sistema provoca chuvas intensas e tempestades severas ainda em território argentino.
No sábado (10), o centro da baixa pressão se organiza sobre o Rio da Prata e o sul do Uruguai, muito próximo de Montevidéu, caracterizando oficialmente a formação de um ciclone extratropical. A pressão central deve atingir cerca de 997 hPa, valor que indica um sistema ativo, mas longe de ser extremo.
Já no domingo (11), o ciclone começa a se deslocar para leste, em direção ao oceano, ao sul do Rio Grande do Sul. Nesse momento, ele perde força rapidamente. “Esse ciclone terá vida curta, porque não haverá a atuação de uma massa de ar frio mais intensa para sustentá-lo”, explica Estael Sias.
Por que o ciclone não se intensifica?
Os ciclones extratropicais se formam a partir do contraste entre massas de ar frio e quente. Neste caso, segundo a MetSul, esse contraste será limitado. “Sem uma massa de ar frio mais forte, o sistema não consegue se aprofundar e enfraquece rapidamente ao avançar para o Atlântico”, afirma a meteorologista. Essa característica faz com que o ciclone não siga o padrão clássico de intensificação sobre o oceano, comum em latitudes médias.
Os efeitos no clima
Os ventos ciclônicos mais intensos devem atingir principalmente o Uruguai entre sábado e domingo. As áreas mais ao sul do país, como Colônia do Sacramento, Montevidéu, San José, Canelones e Maldonado, podem registrar rajadas entre 70 km/h e 100 km/h, com maior intensidade na capital uruguaia.
“O campo de vento forte será bastante restrito e concentrado próximo ao centro do ciclone”, destaca Estael. Por isso, o Sul do Brasil não deve ser atingido por ventos ciclônicos, aqueles que persistem por muitas horas e costumam causar danos mais amplos.
Embora o ciclone não passe diretamente sobre o Brasil, ele influencia o tempo ao aumentar a instabilidade atmosférica. A queda da pressão e a presença de ar quente e úmido favorecem a formação de temporais isolados.
No Rio Grande do Sul, o vento aumenta no domingo, mas de forma moderada, com rajadas entre 50 km/h e 70 km/h em pontos do interior. O litoral gaúcho, geralmente mais afetado em eventos desse tipo, não tem previsão de ventania intensa.
Entre sexta e sábado, o sol aparece entre nuvens nos três Estados do Sul, mas o calor da tarde estimula o desenvolvimento de nuvens carregadas, com chuva localmente forte, rajadas de vento e granizo pontual.
No domingo, a frente fria associada ao ciclone avança. A chuva atinge principalmente o norte e o nordeste do Rio Grande do Sul, além de Santa Catarina e Paraná, podendo ser intensa em alguns locais. No restante do território gaúcho, o tempo melhora ao longo do dia.
“Não se trata de vento ciclônico contínuo, mas de rajadas fortes e rápidas associadas a tempestades isoladas. A MetSul reforça que não há risco de um evento extremo como o registrado em dezembro em São Paulo. Tudo indica que será um ciclone fraco, pequeno e distante do Centro do Brasil”, observa Estael.
Fonte: Globo Rural

